Fechei um livro de contos uns dias atrás e estou enviando-o para algumas editoras que considero. Enquanto isso, resolvi dar um tempo da literatura e me entreter com outro passatempo que levo a sério: o cinema. Assim, assisti em um tapa dois filmes que tinha curiosidade: Eu matei Jesse James e Grande Sertão: Veredas
. E é sobre eles que quero falar.
Samuel Fuller não me surpreende mais! Ele é um cineasta sem graça por excelência, que levou o rótulo de 'gênio' não sei muito bem porquê; talvez pelo fato de alguns outros diretores reconhecidos tê-lo citado como referência. O ponto alto de seus filmes são alguns enquadramentos e uma ou outra solução narrativa (embebida em Shakespeare). I shot Jesse James é seu primeiro filme (1949) e só não consegue ser pior que Naked Kiss (O Beijo Amargo) de 1964, porque, suponho, não deram muita liberdade a ele ou por timidez mesmo. Evidente que não vi tudo de Fuller, mas o que já vi - Cão Branco é "legal" - me basta para pensar duas vezes em ver outro de sua autoria.
Quanto ao filme dos irmãos Geraldo e Renato Santos Pereira, já parte de uma obra excepcional de Guimarães Rosa - não consigo ficar muito longe da literatura -, e possui um elenco respeitável. A produção é da Vera Cruz, portanto é muito boa para a época (1965). Mesmo assim - e eu não esperava o contrário - é um filme para agradar ao público, portanto, completamente 'adaptado'. Duas cenas maravilhosas: 1) A morte dos cavalos pelo bando de Hermógenes - todas as tomadas; 2) O suposto pacto de Riobaldo (Mauricio do Valle) com o diabo na encruzilhada - só Mojica para fazer melhor. É aquela velha história: para quem não leu o livro, nem se aventura passar pelas mais de 600 pgs., veja o filme para ficar a par da 'historinha'.
Para encerar, quero apontar os pontos de similiaridade entre os dois filmes. Ambos desejam trazer à tona o psicológico de homens 'embrutecidos', no velho oeste estadounidense e no sertão mineiro do Brasil. Daí os dois recaem na temática da sexualidade, essa por sua vez em seu viés 'anti-natural' - como querem os conservadores -, ou seja, nas relações de afetividade, que beiram o erótico, entre pessoas do mesmo sexo. Em Grande Sertão descobrimos que se trata, entre outras nuances, de um jogo em que mexe com a angústia do ilustrado sertanejo Riobaldo. No filme de Fuller é um ponto digno de nota - a cena da banheira acima (com John Ireland e Preston Foster) é exemplar nesse tocante. Assim, é legal assisti-lo como um filme 'interessante', no gênero wester e cinema em geral, mas não enquanto um filme de um 'gênio'.
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P.S: Agradeço ao Rodrigo, do Sebo Comasa - Fpolis. - por emprestar os filmes que estavam à venda na prateleira.
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