Em meados dos anos 1940, jovens inquietos e descontentes com o cenário literário e a situação política reinante, vieram a constituir um fenômeno inédito na história da literatura e cultura norte-americana: a “Beat Generation” e a “San Francisco Renaissance”.
Portanto, considero oportuno discorrer sobre o surgimento e os principais autores que as constituíram.
Em 1944, o intelectual William Burroughs, que ainda não pretendia ser escritor, freqüentava informalmente a universidade de Columbia, em Nova York, e os lugares em que intelectuais e artistas independentes costumavam ir: bares e apartamentos da zona boêmia ao redor da instituição, e a região de Greenwich Village.
Burroughs acabou conhecendo um apreciador de Rimbaud que estudava em Columbia, já expulso de várias faculdades: Lucien Carr. Peça importante na história da Beat, especialmente por ter promovido o encontro de Burroughs com outros dois estudantes de Columbia: Jack Kerouac e Allen Ginsberg.
Por ser mais velho e detentor de uma erudição que interessava , Burroughs era personalidade influente nos ambientes que freqüentava. No documentário The Source, Allen Ginsberg relata que, após a primeira visita que fizeram à casa de Burroughs, Kerouac disse que ele era “a pessoa mais inteligente viva na América”. Além de iniciar Ginsberg e Kerouac, entre outros, no mundo das drogas ilícitas, Burroughs possuía uma biblioteca que se tornou um oásis àqueles jovens sedentos de conhecimentos e leituras de escritores modernos e “malditos”, que não eram ministrados nos bancos universitários.
Assim, por intermédio de Burroughs, os jovens vão se encontrando, principalmente, com Conrad, Dostoievski, Kafka, Rimbaud, Céline, Yeats, Blake, Nabokov e Baudelaire.
Na época em que Jack Kerouac estreita amizade com Ginsberg e Burroughs, ele se recuperava de um acidente que comprometera sua carreira de atleta, momento em que, mesmo envolvo em sérias dificuldades financeiras, começa a trabalhar no romance que intitularia The Town and the City. Obra que apresenta um Jack Kerouac buscando estilo, com influências de Marcel Proust, Thomas Wolfe e Scott Fritzgerald bem marcadas.
Allen Ginsberg era o mais jovem entre os três principais membros da Beat. Afeito ao gosto clássico, elaborava poemas com versos metrificados e rimados, de temática metafísica. Com o passar do tempo não abandonou de todo esse gosto, mas aproveitou do material já bem conhecido e absorvido para criar sua poética inovadora.
Essa breve exposição serve para indicar certo processo de amadurecimento estético que tiveram os escritores pertencentes à Beat Generation antes de chegarem às suas principais produções e conclusões no campo literário.
O uso desregrado de narcóticos era uma constante na vida dos autores e nos encontros promovidos por eles. É necessário ressaltar que, para além do prazer, havia o propósito de alterarem a consciência e, portanto, a percepção, para a leitura de poesias de poetas como Rimbaud, Yeats, Blake e Baudelaire – poetas que inclusive já criaram sob o efeito de substâncias psicoativas.
O epíteto “beat”, que batizou a união dessas personalidades, foi conferido a partir de uma expressão emitida por Herbet Huncke, um jovem delinqüente amigo de Burroughs, que sempre dizia estar “beat” (I’m beat); que seria o equivalente a “estar quebrado”, em português, suscitando tanto o sentimento de exaustão quanto a falta de dinheiro. Captado pelo atento ouvido de Kerouac, o termo passou a designar sua geração, que, de acordo com depoimentos presentes no documentário What happen to Jack Kerouac ?, costumava brincar dizendo: “se houve a ‘Lost Generation’, nós somos a ‘Beat Generation’”.
Não obstante, a palavra “beat” é uma das mais polissêmicas no vernáculo norte-americano. Assim, o termo não se restringe à gíria mencionada, mas comporta outras acepções ligadas ao universo desses escritores: “beat” alude à “batida” musical do jazz, mais propriamente a do ritmo oriundo do gênero “Be-bop”; o termo também sugere o radical da palavra beatitude, na perspectiva zen-budista é “o estado de graça” atingido pelo prazer em realizar atividades que “confortem o espírito”.
O núcleo da Beat, constituído em Nova York, contou com poucas mulheres, Joan Vollmer e Edie Parker – respectivamente as companheiras de Burroughs e Kerouac. E de 1945 a 1950, o grupo seria acrescido com o jovem fora-da-lei Neal Cassady, o antropólogo Hal Chase, os poetas Carl Solomon e Gregory Corso, e o escritor John Clellon Holmes.
As primeiras publicações beats – mas que passaram quase desapercebidas – foram Go de John Clellon Holmes, em 1952, um excerto de On the Road, de Jack Kerouac, que saiu no New York Writing, em 1955, intitulado Jazz of the Beat Generation, e, dois anos antes desse, Junky.
Tal designação para toxicômanos – junky – deu título ao primeiro livro de William Burroughs, que foi a obra mais importante publicada nessa primeira leva. Com o pseudônimo William Lee, Burroughs trata das experiências e peripécias empíricas no submundo, na qualidade de dependente de drogas pesadas. No documentário intitulado Burroughs, com sua voz grave e olhos frios, responde sobre o motivo pelo qual se tornou um dependente químico: “isso me mantinha ocupado”.
É interessante notar que os ideólogos de plantão, que se dispuseram a opinar sobre os Beats, faziam críticas de teor próximo a cobrar uma postura ideológica partidária. Ora, criar obras literárias é atitude diametralmente oposta a redigir libelos panfletários. Nessa linha de raciocínio, acredito que haja mais subversão, e eficácia, em apresentar personagens desprovidos de posses e culpas, do que estabelecer messianismos ideologizantes.
Até o momento me detive nos personagens ligados a Beat Generation estabelecidos em Nova York, Costa Leste. Ao que se torna oportuno discorrer acerca de outro grupo literário que impulsionou a notoriedade da Beat, paralelo ao seu surgimento, na Costa Oeste: o San Francisco Renaissance.
A Costa Oeste norte-americana, sobretudo San Francisco, vivia uma época de agitação cultural, como Allen Ginsberg veio a conhecer em 1954, quando para lá se mudou e entrou em contato com o eminente Kenneth Rexroth.
Sobre Rexroth, passo a palavra para Octavio Paz em Sombras de obras:
En 1930 se instaló em San Francisco y pronto su casa y su persona se convitieron em um centro de irradiación poética. Fue amigo e guia de los poetas que más tarde formarían la “beat generation” y em 1950 contribuyó, com William Carlos Williams, al reconocimiento público de Allen Ginsberg y Jack Kerouac. También impulsó em sus comienzos a Gary Snyder y a Robert Creeley. Su obra poética tuvo menos suerte que la de sus jóvenes amigos e sólo hasta ahora empienza a ser reconocida em los círculos literários del Este. Su labor de traductor no fue menos señalada que la de autor de breves e intensos poemas de amor. Son admirables sus traduciones de Reverdy y lo mismo debe decirse de sus versiones de poesia china e japonesa.
Nesse texto de Paz está bem ressaltado que: “La división entre el Este y Oeste no es, en los Estados Unidos, unicamente geográfica sino política y artística”. Assim, é de absoluta pertinência desenvolver essa constatação.
Logo após a segunda guerra, San Francisco era local apropriado para quem quisesse levar a vida sob menor pressão social. Assim, havia o respeito tanto para relações homossexuais quanto para revistas que explicitamente defendiam ideais da filosofia anarquista. A Ark e a Circle eram as mais destacadas nesse aspecto, e foi exatamente por intermédio delas que Allen Ginsberg entrou em contato com a poesia realizada na localidade.
San Francisco foi residência para os poetas que pertenceram ao colégio de tendências “não-diretivistas”, o “Black Mountain College” (1933-1956) da Carolina do Norte, como Charles Olson e Robert Creeley. Também para os poetas vindos de Berkely, membros do “Berkely Renaissance”: Robert Duncan, William Everson, Jack Spicer, Josephine Miles, Mary Fabilli, Thomas Parkinson e Robin Blaser.
Ginsberg finaliza a primeira parte do longo poema Howl (Uivo) em agosto de 1955, e não foi difícil a oportunidade de expô-la ao público, já que era comum eventos que reuniam poetas locais, em bares ou pequenos salões, para a leitura de poesias.
Keneth Rexroth havia sido convidado a fazer uma leitura na “Six Gallery”, então sugeriu a Ginsberg e a outro poeta, Michael McClure, que se incumbissem de organizá-la, mas para poetas iniciantes e não publicados, como o próprio Ginsberg.
Como faltou tempo para McClure, Rexroth deu a Ginsberg o endereço do também poeta, estudioso de filosofia e línguas asiáticas, aluno na Universidade da Califórnia: Gary Snyder. As afinidades logo vieram e os dois se dedicaram a planejar o evento.
“Six Poets at the Six Gallery” estava no convite redigido de maneira a outorgar a dimensão exata do que se pretendia. Vejam nesta tradução de Cláudio Willer, presente no prefácio escrito por ele para Uivo, Kaddish e outros poemas:
Seis poetas na Galeria Seis. Kenneth Rexroth, M.C. (mestre de cerimônias). Notável coleção de anjos, todos reunidos ao mesmo tempo no mesmo lugar. Vinho, música, garotas dançando, poesia séria, satori grátis. Pequena coleta para vinho e folhetos. Evento charmoso.
7 de outubro de 1955 é a folclórica data que marca o começo da notoriedade conseguida pela Beat Generation e o surgimento definitivo da San Francisco Renaissance no cenário literário e cultural dos Estados Unidos.
O evento era conduzido por Kenneth Rexroth, e teve início com Philip Lamantia, poeta de tendência surrealista; prosseguiu com Michael McClure e suas poesias de temática anti-bélica; Philip Whalen, poeta de abordagens ambientais; Gary Snyder, poesia vigorosamente calcada no estilo oriental; e, encerrando a noite e comprovando o marco histórico, Ginsberg disparou a primeira parte de Howl na platéia.
Uma pequena amostra, na tradução de Cláudio Willer:
"Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de qualquer coisa,
hipsters com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado na maquinaria da noite,
que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tetos da cidade contemplando jazz,
que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de cômodo."
Ao alegar timidez para subir no palco da Six Gallery e ler seus poemas e excertos, Jack Kerouac realizou seu show à parte, acompanhado de Neal Cassady. Ambos emitiam gritos e ruídos no ritmo do poema declamado, enquanto entornavam um garrafão de vinho, ao que foram seguidos por outros da platéia, criando uma festa dionisiacamente literária. Algo inconcebível, na época, para um encontro de poetas.
O evento arrecadou diversos detratores e defensores. Entre os últimos, Lawrence Ferlinghetti merece destaque especial. Pois, é possível dizer que mais do que qualquer um ali presente, exceto Rexroth, Ferlinghetti tinha a noção exata de estar presenciando uma revolução de gostos e costumes.
Lawrence Ferlinghetti foi decisivo no desenvolvimento e divulgação da Beat Generation e da San Francisco Renaissance. Pois, além de ser um dos poetas mais fecundos e talentosos de San Francisco, foi vultoso agitador cultural da região, com a principal contribuição de criar uma “livraria-editora-ponto de encontro” para artistas e intelectuais em afinidade ao caráter libertário de San Francisco.
Fundada em 1953, a “City Lights” foi a porta de entrada, com saída mundo afora, para muitos escritores estreantes. Além disso, a livraria tem extrema importância por ter lançado sua série de Pocket Poets, cujos títulos disponibilizados eram de autores, de diferentes nacionalidades, menos conhecidos nos Estados Unidos.
Howl foi o carro-chefe para publicações de poetas inéditos na City Lights.
Os anos de 1956 e 1957 representam a consolidação da San Francisco Renaissance e da Beat Generation, inclusive porque várias editoras começam a publicá-los. Assim, em 1957 aparece pela editora Groove express a obra mais conhecida de Jack Kerouac, popularmente intitulada “Bíblia da Geração Beat”: On the Road.
O aspirante a escritor, Sal Paradise - alter-ego de Kerouac -, narra episódios acontecidos enquanto cruza a América do norte a fim de rever amigos, e nos apresenta o antológico Dean Moriarty - alter-ego de Neal Cassady -, personagem deveras alegórico das nuances da Beat.
Por essa época, meados de 1950, William Burroughs estava morando em Tanger, Marrocos, onde praticava sua homossexualidade, tomava picos, e preparava sua obra mais instigante: Naked Lunch (na tradução: Almoço Nu).
O surgimento da obra no mercado editorial se deu em 1959, na França, pela Obelisk Press, de Maurice Girodias, ajudando a fomentar a fama de “ousada”, ostentada pela editora, que já havia publicado os livros de Henry Miller. Nos Estados Unidos, a liberação só foi possível em 1962, após vários apelos e revogações judiciais. Consta que após a liberação de Naked Lunch, tornou-se impossível encontrar alegações para censurar outras obras literárias.
Ainda que proibições e polêmicas acumuladas por Naked Lunch ajudaram a despertar o interesse pelo livro em diversos países, assim como Howl que foi processado por linguagem obscena, a aceitação da obra por inúmeros leitores, passados 40 anos, denota que seu mérito não se deve às implicações extra literárias.
Naked Lunch é uma obra audaciosa, na forma e conteúdo, que abole completamente a linearidade narrativa. Buroughs a elaborou a partir do método “cut-up” (recorte), idealizado por ele e pelo artista plástico Brion Gyssin, que resulta na justaposição e sobreposição de imagens narrativas.
Paralelo à consolidação da Beat como um grupo de escritores que inovavam a literatura estadounidense, vai se desenvolvendo uma rejeição e condenação desses por parte da crítica em geral e da academia, sendo que uma seguia a outra.
Não obstante, a retaliação não é prática recente, ainda mais nos Estados Unidos. Basta uma breve retrospectiva histórica para constatarmos que grande parte das produções literárias vigorosas e influentes da nação, se desenvolveu à margem dos restritos círculos literários, tolerados e financiados pela academia ou abastados membros da sociedade. Dessa maneira, foi se constituindo uma tradição de heréticos às limitadas convenções sociais e literárias.
Para fins de verificação, além dos poetas mencionados por Ginsberg, lembremos de Edgar Allan Poe, que morreu na míngua, embora houvesse revolucionado a lírica e a prosa. Também Dashiell Hammett e Raymond Chandler, que expuseram mazelas em narrativas repletas de personagens sórdidos, mostrando que o gênero policial pode ser mais eficiente no retrato da sociedade que muitos escritos de pretensões “realistas”.
Aliás, em relação ao romance policial norte-americano, rejeitado com freqüência pela crítica mais preciosista, é exatamente o gênero literário mais bem sucedido nos Estados Unidos, pois está em constante renovação.
Henry Miller, hoje considerado clássico contemporâneo da literatura Ocidental, teve sua obra banida por longo tempo nos Estados Unidos. A relação entre Miller e os Beats também envolve reciprocidade de admiração, pois Miller chegou a escrever prefácios para obras de escritores beats.
Entre outros “marginalizados” norte-americanos que serviram de paradigma para os Beats, destaca-se a presença do escritor, poeta e filósofo Henry David Thoreau e suas sugestivas obras: Walden e Desobediência civil. Desse momento histórico, também há duas outras personalidades que não apenas possuíam obras admiradas pelos Beats, mas as vidas despertavam semelhante fascínio: Hermann Melville e Jack London.
O primeiro por suas narrativas baseadas nas experiências de marinheiro, pródigas em atmosferas sombrias. Já o autor de O lobo do mar e O chamado selvagem, como o próprio Kerouac comenta em Viajante Solitário: “li a vida de Jack London aos 18 anos e também decidi me tornar um aventureiro, um viajante solitário”.
Ainda a respeito de Kerouac, considero deveras interessante e pertinente o apontamento de John Tytell em OViagem à literatura americana contemporânea:
A história de Kerouac é uma das mais anômalas da história da literatura norte-americana. Como Poe, Melville ou Faulkner, ele escreveu grande parte de seus primeiros trabalhos no anonimato, sob condições adversas e com pouco incentivo.
É necessário também mencionar a forte influência do criador do personagem Arturo Bandini, ou seja, John Fante, que, com seu lirismo em prosa, mostrou como se faz literatura complexa numa narrativa aparentemente despretensiosa.
Em relação ao encadeamento e ritmo concedidos à narrativa, pode-se dizer que Kerouac e Burroughs, além da música dos Be-boppers, tiveram influências advindas das obras mais modernistas de Gertrude Stein, exatamente as compostas sob a teoria do “fluxo de consciência”, pautada nos estudos de William James.
Assim, ainda que movimentos e grupos literários sejam escassos em território norte-americano, fica a menção a alguns escritores negligenciados no decorrer da história, que, casualmente, formaram uma tradição à parte. E é por essa razão que, numa perspectiva ampla e sem determinismos, prefiro assinalar que a tradição essencial a qual a San Francisco Renaissance e a Beat Generation se vinculam, enquanto tributárias e prosseguidoras, é exatamente uma “tradição de dissidência”.
As mortes de Ginsberg e Burroughs são próximas, respectivamente: 05/04/1997 e 02/08/1997. Kerouac se despediu bem mais cedo, em 1969. Porém, o conjunto da obra deixada pelos três membros da Beat, principalmente, continua conquistando admiração. Prova disso, além do reconhecimento de “patronos da Contracultura”, são as influências confessas de personalidades que fazem arte na contemporaneidade.
A música foi o campo artístico em que proliferou admiradores da Beat. E isso significou muito, haja vista que nesse meio estão Bob Dylan, David Bowie, Lou Reed, Iggy Pop, Tom Waitts, Patti Smith e Leonard Cohen.
Também conjuntos musicais famosos, do lendário punk rock do The Clash, passando por U2 e The Police, até os mais recentes, como Nirvana, Ministry e Sonic Youth, sempre que podiam posavam ao lado dos Beats ou empunhando obras desses em fotos promocionais – mesmo em idade avançada, os autores beats eram afeitos aos tributos, e aceitavam os convites para dividir vocais e letras, e participarem de shows e vídeo-clips.
Os cineastas David Cronenberg – que adaptou Naked Lunch –, Gus Van Sant – que contou com a simbólica participação de Burroughs em Drugstore Cowboy –, Jim Jarmusch, John Cassavetes, são alguns dos sujeitos que nunca negaram a importância dessa literatura em suas vidas.
Entre os escritores e poetas segue uma porrada: J.G. Ballard, Clive Barker, Tim Powers, Kathy Acker, William Gibson, Bruce Stirlin, Roberto Piva, Cláudio Willer, Mário Bortolloto, Rodrigo Garcia Lopes entre outros no globo terrestre, que explicitam a influência beat no fazer e encarar o ofício da arte.
Nesse sentido, enquanto modernos precursores em converter a postura anárquica em arte, os Beats e a San Francisco Renaissance continuam influenciando gerações vindouras na saudável atitude de delinqüir.
Portanto, considero oportuno discorrer sobre o surgimento e os principais autores que as constituíram.
Em 1944, o intelectual William Burroughs, que ainda não pretendia ser escritor, freqüentava informalmente a universidade de Columbia, em Nova York, e os lugares em que intelectuais e artistas independentes costumavam ir: bares e apartamentos da zona boêmia ao redor da instituição, e a região de Greenwich Village.
Burroughs acabou conhecendo um apreciador de Rimbaud que estudava em Columbia, já expulso de várias faculdades: Lucien Carr. Peça importante na história da Beat, especialmente por ter promovido o encontro de Burroughs com outros dois estudantes de Columbia: Jack Kerouac e Allen Ginsberg.
Por ser mais velho e detentor de uma erudição que interessava , Burroughs era personalidade influente nos ambientes que freqüentava. No documentário The Source, Allen Ginsberg relata que, após a primeira visita que fizeram à casa de Burroughs, Kerouac disse que ele era “a pessoa mais inteligente viva na América”. Além de iniciar Ginsberg e Kerouac, entre outros, no mundo das drogas ilícitas, Burroughs possuía uma biblioteca que se tornou um oásis àqueles jovens sedentos de conhecimentos e leituras de escritores modernos e “malditos”, que não eram ministrados nos bancos universitários.
Assim, por intermédio de Burroughs, os jovens vão se encontrando, principalmente, com Conrad, Dostoievski, Kafka, Rimbaud, Céline, Yeats, Blake, Nabokov e Baudelaire.
Na época em que Jack Kerouac estreita amizade com Ginsberg e Burroughs, ele se recuperava de um acidente que comprometera sua carreira de atleta, momento em que, mesmo envolvo em sérias dificuldades financeiras, começa a trabalhar no romance que intitularia The Town and the City. Obra que apresenta um Jack Kerouac buscando estilo, com influências de Marcel Proust, Thomas Wolfe e Scott Fritzgerald bem marcadas.
Allen Ginsberg era o mais jovem entre os três principais membros da Beat. Afeito ao gosto clássico, elaborava poemas com versos metrificados e rimados, de temática metafísica. Com o passar do tempo não abandonou de todo esse gosto, mas aproveitou do material já bem conhecido e absorvido para criar sua poética inovadora.
Essa breve exposição serve para indicar certo processo de amadurecimento estético que tiveram os escritores pertencentes à Beat Generation antes de chegarem às suas principais produções e conclusões no campo literário.
O uso desregrado de narcóticos era uma constante na vida dos autores e nos encontros promovidos por eles. É necessário ressaltar que, para além do prazer, havia o propósito de alterarem a consciência e, portanto, a percepção, para a leitura de poesias de poetas como Rimbaud, Yeats, Blake e Baudelaire – poetas que inclusive já criaram sob o efeito de substâncias psicoativas.
O epíteto “beat”, que batizou a união dessas personalidades, foi conferido a partir de uma expressão emitida por Herbet Huncke, um jovem delinqüente amigo de Burroughs, que sempre dizia estar “beat” (I’m beat); que seria o equivalente a “estar quebrado”, em português, suscitando tanto o sentimento de exaustão quanto a falta de dinheiro. Captado pelo atento ouvido de Kerouac, o termo passou a designar sua geração, que, de acordo com depoimentos presentes no documentário What happen to Jack Kerouac ?, costumava brincar dizendo: “se houve a ‘Lost Generation’, nós somos a ‘Beat Generation’”.
Não obstante, a palavra “beat” é uma das mais polissêmicas no vernáculo norte-americano. Assim, o termo não se restringe à gíria mencionada, mas comporta outras acepções ligadas ao universo desses escritores: “beat” alude à “batida” musical do jazz, mais propriamente a do ritmo oriundo do gênero “Be-bop”; o termo também sugere o radical da palavra beatitude, na perspectiva zen-budista é “o estado de graça” atingido pelo prazer em realizar atividades que “confortem o espírito”.
O núcleo da Beat, constituído em Nova York, contou com poucas mulheres, Joan Vollmer e Edie Parker – respectivamente as companheiras de Burroughs e Kerouac. E de 1945 a 1950, o grupo seria acrescido com o jovem fora-da-lei Neal Cassady, o antropólogo Hal Chase, os poetas Carl Solomon e Gregory Corso, e o escritor John Clellon Holmes.
As primeiras publicações beats – mas que passaram quase desapercebidas – foram Go de John Clellon Holmes, em 1952, um excerto de On the Road, de Jack Kerouac, que saiu no New York Writing, em 1955, intitulado Jazz of the Beat Generation, e, dois anos antes desse, Junky.
Tal designação para toxicômanos – junky – deu título ao primeiro livro de William Burroughs, que foi a obra mais importante publicada nessa primeira leva. Com o pseudônimo William Lee, Burroughs trata das experiências e peripécias empíricas no submundo, na qualidade de dependente de drogas pesadas. No documentário intitulado Burroughs, com sua voz grave e olhos frios, responde sobre o motivo pelo qual se tornou um dependente químico: “isso me mantinha ocupado”.
É interessante notar que os ideólogos de plantão, que se dispuseram a opinar sobre os Beats, faziam críticas de teor próximo a cobrar uma postura ideológica partidária. Ora, criar obras literárias é atitude diametralmente oposta a redigir libelos panfletários. Nessa linha de raciocínio, acredito que haja mais subversão, e eficácia, em apresentar personagens desprovidos de posses e culpas, do que estabelecer messianismos ideologizantes.
Até o momento me detive nos personagens ligados a Beat Generation estabelecidos em Nova York, Costa Leste. Ao que se torna oportuno discorrer acerca de outro grupo literário que impulsionou a notoriedade da Beat, paralelo ao seu surgimento, na Costa Oeste: o San Francisco Renaissance.
A Costa Oeste norte-americana, sobretudo San Francisco, vivia uma época de agitação cultural, como Allen Ginsberg veio a conhecer em 1954, quando para lá se mudou e entrou em contato com o eminente Kenneth Rexroth.
Sobre Rexroth, passo a palavra para Octavio Paz em Sombras de obras:
En 1930 se instaló em San Francisco y pronto su casa y su persona se convitieron em um centro de irradiación poética. Fue amigo e guia de los poetas que más tarde formarían la “beat generation” y em 1950 contribuyó, com William Carlos Williams, al reconocimiento público de Allen Ginsberg y Jack Kerouac. También impulsó em sus comienzos a Gary Snyder y a Robert Creeley. Su obra poética tuvo menos suerte que la de sus jóvenes amigos e sólo hasta ahora empienza a ser reconocida em los círculos literários del Este. Su labor de traductor no fue menos señalada que la de autor de breves e intensos poemas de amor. Son admirables sus traduciones de Reverdy y lo mismo debe decirse de sus versiones de poesia china e japonesa.
Nesse texto de Paz está bem ressaltado que: “La división entre el Este y Oeste no es, en los Estados Unidos, unicamente geográfica sino política y artística”. Assim, é de absoluta pertinência desenvolver essa constatação.
Logo após a segunda guerra, San Francisco era local apropriado para quem quisesse levar a vida sob menor pressão social. Assim, havia o respeito tanto para relações homossexuais quanto para revistas que explicitamente defendiam ideais da filosofia anarquista. A Ark e a Circle eram as mais destacadas nesse aspecto, e foi exatamente por intermédio delas que Allen Ginsberg entrou em contato com a poesia realizada na localidade.
San Francisco foi residência para os poetas que pertenceram ao colégio de tendências “não-diretivistas”, o “Black Mountain College” (1933-1956) da Carolina do Norte, como Charles Olson e Robert Creeley. Também para os poetas vindos de Berkely, membros do “Berkely Renaissance”: Robert Duncan, William Everson, Jack Spicer, Josephine Miles, Mary Fabilli, Thomas Parkinson e Robin Blaser.
Ginsberg finaliza a primeira parte do longo poema Howl (Uivo) em agosto de 1955, e não foi difícil a oportunidade de expô-la ao público, já que era comum eventos que reuniam poetas locais, em bares ou pequenos salões, para a leitura de poesias.
Keneth Rexroth havia sido convidado a fazer uma leitura na “Six Gallery”, então sugeriu a Ginsberg e a outro poeta, Michael McClure, que se incumbissem de organizá-la, mas para poetas iniciantes e não publicados, como o próprio Ginsberg.
Como faltou tempo para McClure, Rexroth deu a Ginsberg o endereço do também poeta, estudioso de filosofia e línguas asiáticas, aluno na Universidade da Califórnia: Gary Snyder. As afinidades logo vieram e os dois se dedicaram a planejar o evento.
“Six Poets at the Six Gallery” estava no convite redigido de maneira a outorgar a dimensão exata do que se pretendia. Vejam nesta tradução de Cláudio Willer, presente no prefácio escrito por ele para Uivo, Kaddish e outros poemas:
Seis poetas na Galeria Seis. Kenneth Rexroth, M.C. (mestre de cerimônias). Notável coleção de anjos, todos reunidos ao mesmo tempo no mesmo lugar. Vinho, música, garotas dançando, poesia séria, satori grátis. Pequena coleta para vinho e folhetos. Evento charmoso.
7 de outubro de 1955 é a folclórica data que marca o começo da notoriedade conseguida pela Beat Generation e o surgimento definitivo da San Francisco Renaissance no cenário literário e cultural dos Estados Unidos.
O evento era conduzido por Kenneth Rexroth, e teve início com Philip Lamantia, poeta de tendência surrealista; prosseguiu com Michael McClure e suas poesias de temática anti-bélica; Philip Whalen, poeta de abordagens ambientais; Gary Snyder, poesia vigorosamente calcada no estilo oriental; e, encerrando a noite e comprovando o marco histórico, Ginsberg disparou a primeira parte de Howl na platéia.
Uma pequena amostra, na tradução de Cláudio Willer:
"Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,
arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de qualquer coisa,
hipsters com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado na maquinaria da noite,
que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tetos da cidade contemplando jazz,
que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de cômodo."
Ao alegar timidez para subir no palco da Six Gallery e ler seus poemas e excertos, Jack Kerouac realizou seu show à parte, acompanhado de Neal Cassady. Ambos emitiam gritos e ruídos no ritmo do poema declamado, enquanto entornavam um garrafão de vinho, ao que foram seguidos por outros da platéia, criando uma festa dionisiacamente literária. Algo inconcebível, na época, para um encontro de poetas.
O evento arrecadou diversos detratores e defensores. Entre os últimos, Lawrence Ferlinghetti merece destaque especial. Pois, é possível dizer que mais do que qualquer um ali presente, exceto Rexroth, Ferlinghetti tinha a noção exata de estar presenciando uma revolução de gostos e costumes.
Lawrence Ferlinghetti foi decisivo no desenvolvimento e divulgação da Beat Generation e da San Francisco Renaissance. Pois, além de ser um dos poetas mais fecundos e talentosos de San Francisco, foi vultoso agitador cultural da região, com a principal contribuição de criar uma “livraria-editora-ponto de encontro” para artistas e intelectuais em afinidade ao caráter libertário de San Francisco.
Fundada em 1953, a “City Lights” foi a porta de entrada, com saída mundo afora, para muitos escritores estreantes. Além disso, a livraria tem extrema importância por ter lançado sua série de Pocket Poets, cujos títulos disponibilizados eram de autores, de diferentes nacionalidades, menos conhecidos nos Estados Unidos.
Howl foi o carro-chefe para publicações de poetas inéditos na City Lights.
Os anos de 1956 e 1957 representam a consolidação da San Francisco Renaissance e da Beat Generation, inclusive porque várias editoras começam a publicá-los. Assim, em 1957 aparece pela editora Groove express a obra mais conhecida de Jack Kerouac, popularmente intitulada “Bíblia da Geração Beat”: On the Road.
O aspirante a escritor, Sal Paradise - alter-ego de Kerouac -, narra episódios acontecidos enquanto cruza a América do norte a fim de rever amigos, e nos apresenta o antológico Dean Moriarty - alter-ego de Neal Cassady -, personagem deveras alegórico das nuances da Beat.
Por essa época, meados de 1950, William Burroughs estava morando em Tanger, Marrocos, onde praticava sua homossexualidade, tomava picos, e preparava sua obra mais instigante: Naked Lunch (na tradução: Almoço Nu).
O surgimento da obra no mercado editorial se deu em 1959, na França, pela Obelisk Press, de Maurice Girodias, ajudando a fomentar a fama de “ousada”, ostentada pela editora, que já havia publicado os livros de Henry Miller. Nos Estados Unidos, a liberação só foi possível em 1962, após vários apelos e revogações judiciais. Consta que após a liberação de Naked Lunch, tornou-se impossível encontrar alegações para censurar outras obras literárias.
Ainda que proibições e polêmicas acumuladas por Naked Lunch ajudaram a despertar o interesse pelo livro em diversos países, assim como Howl que foi processado por linguagem obscena, a aceitação da obra por inúmeros leitores, passados 40 anos, denota que seu mérito não se deve às implicações extra literárias.
Naked Lunch é uma obra audaciosa, na forma e conteúdo, que abole completamente a linearidade narrativa. Buroughs a elaborou a partir do método “cut-up” (recorte), idealizado por ele e pelo artista plástico Brion Gyssin, que resulta na justaposição e sobreposição de imagens narrativas.
Paralelo à consolidação da Beat como um grupo de escritores que inovavam a literatura estadounidense, vai se desenvolvendo uma rejeição e condenação desses por parte da crítica em geral e da academia, sendo que uma seguia a outra.
Não obstante, a retaliação não é prática recente, ainda mais nos Estados Unidos. Basta uma breve retrospectiva histórica para constatarmos que grande parte das produções literárias vigorosas e influentes da nação, se desenvolveu à margem dos restritos círculos literários, tolerados e financiados pela academia ou abastados membros da sociedade. Dessa maneira, foi se constituindo uma tradição de heréticos às limitadas convenções sociais e literárias.
Para fins de verificação, além dos poetas mencionados por Ginsberg, lembremos de Edgar Allan Poe, que morreu na míngua, embora houvesse revolucionado a lírica e a prosa. Também Dashiell Hammett e Raymond Chandler, que expuseram mazelas em narrativas repletas de personagens sórdidos, mostrando que o gênero policial pode ser mais eficiente no retrato da sociedade que muitos escritos de pretensões “realistas”.
Aliás, em relação ao romance policial norte-americano, rejeitado com freqüência pela crítica mais preciosista, é exatamente o gênero literário mais bem sucedido nos Estados Unidos, pois está em constante renovação.
Henry Miller, hoje considerado clássico contemporâneo da literatura Ocidental, teve sua obra banida por longo tempo nos Estados Unidos. A relação entre Miller e os Beats também envolve reciprocidade de admiração, pois Miller chegou a escrever prefácios para obras de escritores beats.
Entre outros “marginalizados” norte-americanos que serviram de paradigma para os Beats, destaca-se a presença do escritor, poeta e filósofo Henry David Thoreau e suas sugestivas obras: Walden e Desobediência civil. Desse momento histórico, também há duas outras personalidades que não apenas possuíam obras admiradas pelos Beats, mas as vidas despertavam semelhante fascínio: Hermann Melville e Jack London.
O primeiro por suas narrativas baseadas nas experiências de marinheiro, pródigas em atmosferas sombrias. Já o autor de O lobo do mar e O chamado selvagem, como o próprio Kerouac comenta em Viajante Solitário: “li a vida de Jack London aos 18 anos e também decidi me tornar um aventureiro, um viajante solitário”.
Ainda a respeito de Kerouac, considero deveras interessante e pertinente o apontamento de John Tytell em OViagem à literatura americana contemporânea:
A história de Kerouac é uma das mais anômalas da história da literatura norte-americana. Como Poe, Melville ou Faulkner, ele escreveu grande parte de seus primeiros trabalhos no anonimato, sob condições adversas e com pouco incentivo.
É necessário também mencionar a forte influência do criador do personagem Arturo Bandini, ou seja, John Fante, que, com seu lirismo em prosa, mostrou como se faz literatura complexa numa narrativa aparentemente despretensiosa.
Em relação ao encadeamento e ritmo concedidos à narrativa, pode-se dizer que Kerouac e Burroughs, além da música dos Be-boppers, tiveram influências advindas das obras mais modernistas de Gertrude Stein, exatamente as compostas sob a teoria do “fluxo de consciência”, pautada nos estudos de William James.
Assim, ainda que movimentos e grupos literários sejam escassos em território norte-americano, fica a menção a alguns escritores negligenciados no decorrer da história, que, casualmente, formaram uma tradição à parte. E é por essa razão que, numa perspectiva ampla e sem determinismos, prefiro assinalar que a tradição essencial a qual a San Francisco Renaissance e a Beat Generation se vinculam, enquanto tributárias e prosseguidoras, é exatamente uma “tradição de dissidência”.
As mortes de Ginsberg e Burroughs são próximas, respectivamente: 05/04/1997 e 02/08/1997. Kerouac se despediu bem mais cedo, em 1969. Porém, o conjunto da obra deixada pelos três membros da Beat, principalmente, continua conquistando admiração. Prova disso, além do reconhecimento de “patronos da Contracultura”, são as influências confessas de personalidades que fazem arte na contemporaneidade.
A música foi o campo artístico em que proliferou admiradores da Beat. E isso significou muito, haja vista que nesse meio estão Bob Dylan, David Bowie, Lou Reed, Iggy Pop, Tom Waitts, Patti Smith e Leonard Cohen.
Também conjuntos musicais famosos, do lendário punk rock do The Clash, passando por U2 e The Police, até os mais recentes, como Nirvana, Ministry e Sonic Youth, sempre que podiam posavam ao lado dos Beats ou empunhando obras desses em fotos promocionais – mesmo em idade avançada, os autores beats eram afeitos aos tributos, e aceitavam os convites para dividir vocais e letras, e participarem de shows e vídeo-clips.
Os cineastas David Cronenberg – que adaptou Naked Lunch –, Gus Van Sant – que contou com a simbólica participação de Burroughs em Drugstore Cowboy –, Jim Jarmusch, John Cassavetes, são alguns dos sujeitos que nunca negaram a importância dessa literatura em suas vidas.
Entre os escritores e poetas segue uma porrada: J.G. Ballard, Clive Barker, Tim Powers, Kathy Acker, William Gibson, Bruce Stirlin, Roberto Piva, Cláudio Willer, Mário Bortolloto, Rodrigo Garcia Lopes entre outros no globo terrestre, que explicitam a influência beat no fazer e encarar o ofício da arte.
Nesse sentido, enquanto modernos precursores em converter a postura anárquica em arte, os Beats e a San Francisco Renaissance continuam influenciando gerações vindouras na saudável atitude de delinqüir.
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