<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-5011929047237820034</id><updated>2011-11-28T08:14:20.683-08:00</updated><category term='CONTO'/><title type='text'>Nada</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://paulinopenha.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Paulino Júnior:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14257670225120759612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>9</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5011929047237820034.post-1616949698685540940</id><published>2009-10-31T14:21:00.000-07:00</published><updated>2009-11-01T12:19:08.923-08:00</updated><title type='text'>NOTA EXPLICATIVA</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Faz tempo que não escrevo por aqui, mas duvido que alguém tenha sentido falta. De qualquer maneira, vai a justificativa: além d’eu ter uma família pra &lt;em&gt;me sustentar&lt;/em&gt;, o computador deu pau e eu não tinha grana nenhuma para providenciar o conserto. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Agora que consegui, com praticamente um mês de atraso, segue um artigo sobre a Beat Generation e a San Francisco Renaissance. Mexi, remexi, apaguei e remendei este que é parte integrante da minha dissertação de mestrado defendida em 2004 na Universidade Estadual Paulista - Campus de Assis. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5011929047237820034-1616949698685540940?l=paulinopenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulinopenha.blogspot.com/feeds/1616949698685540940/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/10/nota-explicativa.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/1616949698685540940'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/1616949698685540940'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/10/nota-explicativa.html' title='NOTA EXPLICATIVA'/><author><name>Paulino Júnior:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14257670225120759612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5011929047237820034.post-5055098461233243721</id><published>2009-10-31T07:29:00.001-07:00</published><updated>2009-11-21T04:26:25.454-08:00</updated><title type='text'>BEAT GENERATION &amp; SAN FRANCISCO RENAISSANCE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Em meados dos anos 1940, jovens inquietos e descontentes com o cenário literário e a situação política reinante, vieram a constituir um fenômeno inédito na história da literatura e cultura norte-americana: a “Beat Generation” e a “San Francisco Renaissance”.&lt;br /&gt;Portanto, considero oportuno discorrer sobre o surgimento e os principais autores que as constituíram.&lt;br /&gt;Em 1944, o intelectual William Burroughs, que ainda não pretendia ser escritor, freqüentava informalmente a universidade de Columbia, em Nova York, e os lugares em que intelectuais e artistas independentes costumavam ir: bares e apartamentos da zona boêmia ao redor da instituição, e a região de Greenwich Village.&lt;br /&gt;Burroughs acabou conhecendo um apreciador de Rimbaud que estudava em Columbia, já expulso de várias faculdades: Lucien Carr. Peça importante na história da Beat, especialmente por ter promovido o encontro de Burroughs com outros dois estudantes de Columbia: Jack Kerouac e Allen Ginsberg.&lt;br /&gt;Por ser mais velho e detentor de uma erudição que interessava , Burroughs era personalidade influente nos ambientes que freqüentava. No documentário The Source, Allen Ginsberg relata que, após a primeira visita que fizeram à casa de Burroughs, Kerouac disse que ele era “a pessoa mais inteligente viva na América”. Além de iniciar Ginsberg e Kerouac, entre outros, no mundo das drogas ilícitas, Burroughs possuía uma biblioteca que se tornou um oásis àqueles jovens sedentos de conhecimentos e leituras de escritores modernos e “malditos”, que não eram ministrados nos bancos universitários.&lt;br /&gt;Assim, por intermédio de Burroughs, os jovens vão se encontrando, principalmente, com Conrad, Dostoievski, Kafka, Rimbaud, Céline, Yeats, Blake, Nabokov e Baudelaire.&lt;br /&gt;Na época em que Jack Kerouac estreita amizade com Ginsberg e Burroughs, ele se recuperava de um acidente que comprometera sua carreira de atleta, momento em que, mesmo envolvo em sérias dificuldades financeiras, começa a trabalhar no romance que intitularia The Town and the City. Obra que apresenta um Jack Kerouac buscando estilo, com influências de Marcel Proust, Thomas Wolfe e Scott Fritzgerald bem marcadas.&lt;br /&gt;Allen Ginsberg era o mais jovem entre os três principais membros da Beat. Afeito ao gosto clássico, elaborava poemas com versos metrificados e rimados, de temática metafísica. Com o passar do tempo não abandonou de todo esse gosto, mas aproveitou do material já bem conhecido e absorvido para criar sua poética inovadora.&lt;br /&gt;Essa breve exposição serve para indicar certo processo de amadurecimento estético que tiveram os escritores pertencentes à Beat Generation antes de chegarem às suas principais produções e conclusões no campo literário.&lt;br /&gt;O uso desregrado de narcóticos era uma constante na vida dos autores e nos encontros promovidos por eles. É necessário ressaltar que, para além do prazer, havia o propósito de alterarem a consciência e, portanto, a percepção, para a leitura de poesias de poetas como Rimbaud, Yeats, Blake e Baudelaire – poetas que inclusive já criaram sob o efeito de substâncias psicoativas.&lt;br /&gt;O epíteto “beat”, que batizou a união dessas personalidades, foi conferido a partir de uma expressão emitida por Herbet Huncke, um jovem delinqüente amigo de Burroughs, que sempre dizia estar “beat” (I’m beat); que seria o equivalente a “estar quebrado”, em português, suscitando tanto o sentimento de exaustão quanto a falta de dinheiro. Captado pelo atento ouvido de Kerouac, o termo passou a designar sua geração, que, de acordo com depoimentos presentes no documentário What happen to Jack Kerouac ?, costumava brincar dizendo: “se houve a ‘Lost Generation’, nós somos a ‘Beat Generation’”.&lt;br /&gt;Não obstante, a palavra “beat” é uma das mais polissêmicas no vernáculo norte-americano. Assim, o termo não se restringe à gíria mencionada, mas comporta outras acepções ligadas ao universo desses escritores: “beat” alude à “batida” musical do jazz, mais propriamente a do ritmo oriundo do gênero “Be-bop”; o termo também sugere o radical da palavra beatitude, na perspectiva zen-budista é “o estado de graça” atingido pelo prazer em realizar atividades que “confortem o espírito”.&lt;br /&gt;O núcleo da Beat, constituído em Nova York, contou com poucas mulheres, Joan Vollmer e Edie Parker – respectivamente as companheiras de Burroughs e Kerouac. E de 1945 a 1950, o grupo seria acrescido com o jovem fora-da-lei Neal Cassady, o antropólogo Hal Chase, os poetas Carl Solomon e Gregory Corso, e o escritor John Clellon Holmes.&lt;br /&gt;As primeiras publicações beats – mas que passaram quase desapercebidas – foram Go de John Clellon Holmes, em 1952, um excerto de On the Road, de Jack Kerouac, que saiu no New York Writing, em 1955, intitulado Jazz of the Beat Generation, e, dois anos antes desse, Junky.&lt;br /&gt;Tal designação para toxicômanos – junky – deu título ao primeiro livro de William Burroughs, que foi a obra mais importante publicada nessa primeira leva. Com o pseudônimo William Lee, Burroughs trata das experiências e peripécias empíricas no submundo, na qualidade de dependente de drogas pesadas. No documentário intitulado Burroughs, com sua voz grave e olhos frios, responde sobre o motivo pelo qual se tornou um dependente químico: “isso me mantinha ocupado”.&lt;br /&gt;É interessante notar que os ideólogos de plantão, que se dispuseram a opinar sobre os Beats, faziam críticas de teor próximo a cobrar uma postura ideológica partidária. Ora, criar obras literárias é atitude diametralmente oposta a redigir libelos panfletários. Nessa linha de raciocínio, acredito que haja mais subversão, e eficácia, em apresentar personagens desprovidos de posses e culpas, do que estabelecer messianismos ideologizantes.&lt;br /&gt;Até o momento me detive nos personagens ligados a Beat Generation estabelecidos em Nova York, Costa Leste. Ao que se torna oportuno discorrer acerca de outro grupo literário que impulsionou a notoriedade da Beat, paralelo ao seu surgimento, na Costa Oeste: o San Francisco Renaissance.&lt;br /&gt;A Costa Oeste norte-americana, sobretudo San Francisco, vivia uma época de agitação cultural, como Allen Ginsberg veio a conhecer em 1954, quando para lá se mudou e entrou em contato com o eminente Kenneth Rexroth.&lt;br /&gt;Sobre Rexroth, passo a palavra para Octavio Paz em &lt;em&gt;Sombras de obras&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;En 1930 se instaló em San Francisco y pronto su casa y su persona se convitieron em um centro de irradiación poética. Fue amigo e guia de los poetas que más tarde formarían la “beat generation” y em 1950 contribuyó, com William Carlos Williams, al reconocimiento público de Allen Ginsberg y Jack Kerouac. También impulsó em sus comienzos a Gary Snyder y a Robert Creeley. Su obra poética tuvo menos suerte que la de sus jóvenes amigos e sólo hasta ahora empienza a ser reconocida em los círculos literários del Este. Su labor de traductor no fue menos señalada que la de autor de breves e intensos poemas de amor. Son admirables sus traduciones de Reverdy y lo mismo debe decirse de sus versiones de poesia china e japonesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse texto de Paz está bem ressaltado que: “La división entre el Este y Oeste no es, en los Estados Unidos, unicamente geográfica sino política y artística”. Assim, é de absoluta pertinência desenvolver essa constatação.&lt;br /&gt;Logo após a segunda guerra, San Francisco era local apropriado para quem quisesse levar a vida sob menor pressão social. Assim, havia o respeito tanto para relações homossexuais quanto para revistas que explicitamente defendiam ideais da filosofia anarquista. A Ark e a Circle eram as mais destacadas nesse aspecto, e foi exatamente por intermédio delas que Allen Ginsberg entrou em contato com a poesia realizada na localidade.&lt;br /&gt;San Francisco foi residência para os poetas que pertenceram ao colégio de tendências “não-diretivistas”, o “Black Mountain College” (1933-1956) da Carolina do Norte, como Charles Olson e Robert Creeley. Também para os poetas vindos de Berkely, membros do “Berkely Renaissance”: Robert Duncan, William Everson, Jack Spicer, Josephine Miles, Mary Fabilli, Thomas Parkinson e Robin Blaser.&lt;br /&gt;Ginsberg finaliza a primeira parte do longo poema Howl (Uivo) em agosto de 1955, e não foi difícil a oportunidade de expô-la ao público, já que era comum eventos que reuniam poetas locais, em bares ou pequenos salões, para a leitura de poesias.&lt;br /&gt;Keneth Rexroth havia sido convidado a fazer uma leitura na “Six Gallery”, então sugeriu a Ginsberg e a outro poeta, Michael McClure, que se incumbissem de organizá-la, mas para poetas iniciantes e não publicados, como o próprio Ginsberg.&lt;br /&gt;Como faltou tempo para McClure, Rexroth deu a Ginsberg o endereço do também poeta, estudioso de filosofia e línguas asiáticas, aluno na Universidade da Califórnia: Gary Snyder. As afinidades logo vieram e os dois se dedicaram a planejar o evento.&lt;br /&gt;“Six Poets at the Six Gallery” estava no convite redigido de maneira a outorgar a dimensão exata do que se pretendia. Vejam nesta tradução de Cláudio Willer, presente no prefácio escrito por ele para &lt;em&gt;Uivo, Kaddish e outros poemas&lt;/em&gt;:&lt;br /&gt;Seis poetas na Galeria Seis. Kenneth Rexroth, M.C. (mestre de cerimônias). Notável coleção de anjos, todos reunidos ao mesmo tempo no mesmo lugar. Vinho, música, garotas dançando, poesia séria, satori grátis. Pequena coleta para vinho e folhetos. Evento charmoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;7 de outubro de 1955 é a folclórica data que marca o começo da notoriedade conseguida pela Beat Generation e o surgimento definitivo da San Francisco Renaissance no cenário literário e cultural dos Estados Unidos.&lt;br /&gt;O evento era conduzido por Kenneth Rexroth, e teve início com Philip Lamantia, poeta de tendência surrealista; prosseguiu com Michael McClure e suas poesias de temática anti-bélica; Philip Whalen, poeta de abordagens ambientais; Gary Snyder, poesia vigorosamente calcada no estilo oriental; e, encerrando a noite e comprovando o marco histórico, Ginsberg disparou a primeira parte de Howl na platéia.&lt;br /&gt;Uma pequena amostra, na tradução de Cláudio Willer:&lt;br /&gt;"Eu vi os expoentes da minha geração destruídos pela loucura, morrendo de fome, histéricos, nus,&lt;br /&gt;arrastando-se pelas ruas do bairro negro de madrugada em busca de qualquer coisa,&lt;br /&gt;hipsters com cabeça de anjo ansiando pelo antigo contato celestial com o dínamo estrelado na maquinaria da noite,&lt;br /&gt;que pobres, esfarrapados e olheiras fundas, viajaram fumando sentados na sobrenatural escuridão dos miseráveis apartamentos sem água quente, flutuando sobre os tetos da cidade contemplando jazz,&lt;br /&gt;que desnudaram seus cérebros ao céu sob o Elevado e viram anjos maometanos cambaleando iluminados nos telhados das casas de cômodo."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao alegar timidez para subir no palco da Six Gallery e ler seus poemas e excertos, Jack Kerouac realizou seu show à parte, acompanhado de Neal Cassady. Ambos emitiam gritos e ruídos no ritmo do poema declamado, enquanto entornavam um garrafão de vinho, ao que foram seguidos por outros da platéia, criando uma festa dionisiacamente literária. Algo inconcebível, na época, para um encontro de poetas.&lt;br /&gt;O evento arrecadou diversos detratores e defensores. Entre os últimos, Lawrence Ferlinghetti merece destaque especial. Pois, é possível dizer que mais do que qualquer um ali presente, exceto Rexroth, Ferlinghetti tinha a noção exata de estar presenciando uma revolução de gostos e costumes.&lt;br /&gt;Lawrence Ferlinghetti foi decisivo no desenvolvimento e divulgação da Beat Generation e da San Francisco Renaissance. Pois, além de ser um dos poetas mais fecundos e talentosos de San Francisco, foi vultoso agitador cultural da região, com a principal contribuição de criar uma “livraria-editora-ponto de encontro” para artistas e intelectuais em afinidade ao caráter libertário de San Francisco.&lt;br /&gt;Fundada em 1953, a “City Lights” foi a porta de entrada, com saída mundo afora, para muitos escritores estreantes. Além disso, a livraria tem extrema importância por ter lançado sua série de Pocket Poets, cujos títulos disponibilizados eram de autores, de diferentes nacionalidades, menos conhecidos nos Estados Unidos.&lt;br /&gt;Howl foi o carro-chefe para publicações de poetas inéditos na City Lights.&lt;br /&gt;Os anos de 1956 e 1957 representam a consolidação da San Francisco Renaissance e da Beat Generation, inclusive porque várias editoras começam a publicá-los. Assim, em 1957 aparece pela editora Groove express a obra mais conhecida de Jack Kerouac, popularmente intitulada “Bíblia da Geração Beat”: &lt;em&gt;On the Road&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;O aspirante a escritor, Sal Paradise - alter-ego de Kerouac -, narra episódios acontecidos enquanto cruza a América do norte a fim de rever amigos, e nos apresenta o antológico Dean Moriarty - alter-ego de Neal Cassady -, personagem deveras alegórico das nuances da Beat.&lt;br /&gt;Por essa época, meados de 1950, William Burroughs estava morando em Tanger, Marrocos, onde praticava sua homossexualidade, tomava picos, e preparava sua obra mais instigante: &lt;em&gt;Naked Lunch&lt;/em&gt; (na tradução: &lt;em&gt;Almoço Nu&lt;/em&gt;).&lt;br /&gt;O surgimento da obra no mercado editorial se deu em 1959, na França, pela Obelisk Press, de Maurice Girodias, ajudando a fomentar a fama de “ousada”, ostentada pela editora, que já havia publicado os livros de Henry Miller. Nos Estados Unidos, a liberação só foi possível em 1962, após vários apelos e revogações judiciais. Consta que após a liberação de Naked Lunch, tornou-se impossível encontrar alegações para censurar outras obras literárias.&lt;br /&gt;Ainda que proibições e polêmicas acumuladas por Naked Lunch ajudaram a despertar o interesse pelo livro em diversos países, assim como Howl que foi processado por linguagem obscena, a aceitação da obra por inúmeros leitores, passados 40 anos, denota que seu mérito não se deve às implicações extra literárias.&lt;br /&gt;Naked Lunch é uma obra audaciosa, na forma e conteúdo, que abole completamente a linearidade narrativa. Buroughs a elaborou a partir do método “cut-up” (recorte), idealizado por ele e pelo artista plástico Brion Gyssin, que resulta na justaposição e sobreposição de imagens narrativas.&lt;br /&gt;Paralelo à consolidação da Beat como um grupo de escritores que inovavam a literatura estadounidense, vai se desenvolvendo uma rejeição e condenação desses por parte da crítica em geral e da academia, sendo que uma seguia a outra.&lt;br /&gt;Não obstante, a retaliação não é prática recente, ainda mais nos Estados Unidos. Basta uma breve retrospectiva histórica para constatarmos que grande parte das produções literárias vigorosas e influentes da nação, se desenvolveu à margem dos restritos círculos literários, tolerados e financiados pela academia ou abastados membros da sociedade. Dessa maneira, foi se constituindo uma tradição de heréticos às limitadas convenções sociais e literárias.&lt;br /&gt;Para fins de verificação, além dos poetas mencionados por Ginsberg, lembremos de Edgar Allan Poe, que morreu na míngua, embora houvesse revolucionado a lírica e a prosa. Também Dashiell Hammett e Raymond Chandler, que expuseram mazelas em narrativas repletas de personagens sórdidos, mostrando que o gênero policial pode ser mais eficiente no retrato da sociedade que muitos escritos de pretensões “realistas”.&lt;br /&gt;Aliás, em relação ao romance policial norte-americano, rejeitado com freqüência pela crítica mais preciosista, é exatamente o gênero literário mais bem sucedido nos Estados Unidos, pois está em constante renovação.&lt;br /&gt;Henry Miller, hoje considerado clássico contemporâneo da literatura Ocidental, teve sua obra banida por longo tempo nos Estados Unidos. A relação entre Miller e os Beats também envolve reciprocidade de admiração, pois Miller chegou a escrever prefácios para obras de escritores beats.&lt;br /&gt;Entre outros “marginalizados” norte-americanos que serviram de paradigma para os Beats, destaca-se a presença do escritor, poeta e filósofo Henry David Thoreau e suas sugestivas obras: Walden e Desobediência civil. Desse momento histórico, também há duas outras personalidades que não apenas possuíam obras admiradas pelos Beats, mas as vidas despertavam semelhante fascínio: Hermann Melville e Jack London.&lt;br /&gt;O primeiro por suas narrativas baseadas nas experiências de marinheiro, pródigas em atmosferas sombrias. Já o autor de O lobo do mar e O chamado selvagem, como o próprio Kerouac comenta em Viajante Solitário: “li a vida de Jack London aos 18 anos e também decidi me tornar um aventureiro, um viajante solitário”.&lt;br /&gt;Ainda a respeito de Kerouac, considero deveras interessante e pertinente o apontamento de John Tytell em OViagem à literatura americana contemporânea:&lt;br /&gt;A história de Kerouac é uma das mais anômalas da história da literatura norte-americana. Como Poe, Melville ou Faulkner, ele escreveu grande parte de seus primeiros trabalhos no anonimato, sob condições adversas e com pouco incentivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É necessário também mencionar a forte influência do criador do personagem Arturo Bandini, ou seja, John Fante, que, com seu lirismo em prosa, mostrou como se faz literatura complexa numa narrativa aparentemente despretensiosa.&lt;br /&gt;Em relação ao encadeamento e ritmo concedidos à narrativa, pode-se dizer que Kerouac e Burroughs, além da música dos Be-boppers, tiveram influências advindas das obras mais modernistas de Gertrude Stein, exatamente as compostas sob a teoria do “fluxo de consciência”, pautada nos estudos de William James.&lt;br /&gt;Assim, ainda que movimentos e grupos literários sejam escassos em território norte-americano, fica a menção a alguns escritores negligenciados no decorrer da história, que, casualmente, formaram uma tradição à parte. E é por essa razão que, numa perspectiva ampla e sem determinismos, prefiro assinalar que a tradição essencial a qual a San Francisco Renaissance e a Beat Generation se vinculam, enquanto tributárias e prosseguidoras, é exatamente uma “tradição de dissidência”.&lt;br /&gt;As mortes de Ginsberg e Burroughs são próximas, respectivamente: 05/04/1997 e 02/08/1997. Kerouac se despediu bem mais cedo, em 1969. Porém, o conjunto da obra deixada pelos três membros da Beat, principalmente, continua conquistando admiração. Prova disso, além do reconhecimento de “patronos da Contracultura”, são as influências confessas de personalidades que fazem arte na contemporaneidade.&lt;br /&gt;A música foi o campo artístico em que proliferou admiradores da Beat. E isso significou muito, haja vista que nesse meio estão Bob Dylan, David Bowie, Lou Reed, Iggy Pop, Tom Waitts, Patti Smith e Leonard Cohen.&lt;br /&gt;Também conjuntos musicais famosos, do lendário punk rock do The Clash, passando por U2 e The Police, até os mais recentes, como Nirvana, Ministry e Sonic Youth, sempre que podiam posavam ao lado dos Beats ou empunhando obras desses em fotos promocionais – mesmo em idade avançada, os autores beats eram afeitos aos tributos, e aceitavam os convites para dividir vocais e letras, e participarem de shows e vídeo-clips.&lt;br /&gt;Os cineastas David Cronenberg – que adaptou Naked Lunch –, Gus Van Sant – que contou com a simbólica participação de Burroughs em Drugstore Cowboy –, Jim Jarmusch, John Cassavetes, são alguns dos sujeitos que nunca negaram a importância dessa literatura em suas vidas.&lt;br /&gt;Entre os escritores e poetas segue uma porrada: J.G. Ballard, Clive Barker, Tim Powers, Kathy Acker, William Gibson, Bruce Stirlin, Roberto Piva, Cláudio Willer, Mário Bortolloto, Rodrigo Garcia Lopes entre outros no globo terrestre, que explicitam a influência beat no fazer e encarar o ofício da arte.&lt;br /&gt;Nesse sentido, enquanto modernos precursores em converter a postura anárquica em arte, os Beats e a San Francisco Renaissance continuam influenciando gerações vindouras na saudável atitude de delinqüir. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5011929047237820034-5055098461233243721?l=paulinopenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulinopenha.blogspot.com/feeds/5055098461233243721/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/10/beat-generation-san-francisco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/5055098461233243721'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/5055098461233243721'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/10/beat-generation-san-francisco.html' title='BEAT GENERATION &amp; SAN FRANCISCO RENAISSANCE'/><author><name>Paulino Júnior:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14257670225120759612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5011929047237820034.post-2906033077626089568</id><published>2009-10-11T06:09:00.000-07:00</published><updated>2009-10-11T08:49:35.302-07:00</updated><title type='text'>A VIDA APÓS A MORTE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;O post "O lamento da hiena" do grande figura Nilo Oliveira - &lt;a href="http://decostasprumar.blogspot.com/"&gt;decostasprumar.blogspot.com&lt;/a&gt; -, com sua teoria sobre os "Grandes Mortos", me fez comentar e trazer poesias de uns sujeitos que gosto de ler e escutar, cujo traço comum é o tema "a &lt;em&gt;vida&lt;/em&gt; após a &lt;em&gt;morte&lt;/em&gt;". &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O mestre no tratamento do tema é - o pai de muita gente - Charles Baudelaire. Exemplar nesse sentido é &lt;em&gt;Uma carniça; &lt;/em&gt;em que começa recordando "uma infame carcaça" encontrada ao léu em "uma curva do caminho". Então: "Moscas vinham zumbir sobre este ventre pútrido/Donde saíam batalhões/ Negros de larvas a escorrer - espesso líquido/Ao largo dos vivos rasgões." E eis que a vida se prolifera na morte: "E tudo isto descia e subia, qual vaga,/Ou se atirava, cintilando;/E dir-se-ia que o corpo, inflado de aura vaga,/Vivia se multiplicando." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A obra de Baudelaire é bem fecunda em dimensionar o tema. E eu não duvidaria que Gottfried Benn andou 'cheirando' &lt;em&gt;As flores do mal&lt;/em&gt; antes de escrever a maravilhosa &lt;em&gt;A bela juventude&lt;/em&gt;, que faço questão de reproduzir na íntegra, a partir da tradução de José Paulo Paes:&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A boca da moça que longo tempo jazera em meio aos juncos estava toda roída.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando lhe abriram o peito, o esôfago era só buracos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Acabaram achando numa arcada abaixo do diafragma um ninho de ratos novos.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Uma das ratinhas morrera. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Seus irmãos viviam do fígado e dos rins; bebiam sangue frio e tinham passado ali uma bela juventude.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;E bela e pronta foi também a morte deles: jogaram-nos todos na água.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Ah, como os focinhozinhos guinchavam! &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Baudelaire determinantemente fez a cabeça do magistral Augusto dos Anjos, que criou a melhor homenagem ao ser que nos espera na "frialdade inorgânica da terra": &lt;em&gt;O DEUS-VERME&lt;/em&gt;. Nesse, &lt;em&gt;o operário das ruínas&lt;/em&gt; "Almoça a podridão das drupas agras,/ Janta hidrópicos, rói vísceras magras/E dos defuntos novos incha a mão..." Notem a imagem da última estrofe: "Ah! Para ele é que a carne podre fica,/E no inventário da matéria rica/Cabe aos seus filhos a maior porção!"&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;No disco &lt;em&gt;Canções de ninar &lt;/em&gt;dos Garotos Podres há uma das melhores roupagens dada ao tema, cabendo ao próprio &lt;em&gt;verme&lt;/em&gt; ser o eu-lírico, que recita sua 'vida' ao som do melhor estilo "rock de subúrbio". Os compositores são Renato e Mau, o nome da canção é.... &lt;em&gt;Verme&lt;/em&gt;: "Eu sou o verme/ que vai te comer no seu caixão,/ espero que sua carne/ seja bem macia/pra mim &lt;em&gt;(sic) &lt;/em&gt;não ter nenhuma azia." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Aí Nilo, quem se alimenta de um Grande Morto poderia muito bem dizer estes versos de &lt;em&gt;Verme&lt;/em&gt;: "O seu sangue é tão gostoso/vou chupar ele todinho,/vai ficar mais saboroso/se eu chupar de canudinho."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;P.S. A tradução de &lt;em&gt;Uma carniça&lt;/em&gt; é de Jamil Almansur Haddad.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5011929047237820034-2906033077626089568?l=paulinopenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulinopenha.blogspot.com/feeds/2906033077626089568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/10/literatura-comparada-ou-vida-apos-morte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/2906033077626089568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/2906033077626089568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/10/literatura-comparada-ou-vida-apos-morte.html' title='A VIDA APÓS A MORTE'/><author><name>Paulino Júnior:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14257670225120759612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5011929047237820034.post-7737240185564849469</id><published>2009-09-30T15:03:00.000-07:00</published><updated>2009-10-01T08:14:41.696-07:00</updated><title type='text'>Filmes de 'macho'</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Fechei um livro de contos uns dias atrás e estou enviando-o para algumas editoras que considero. Enquanto isso, resolvi dar um tempo da literatura e me entreter com outro passatempo que levo a sério: o cinema. Assim, assisti em um tapa dois filmes que tinha curiosidade: &lt;em&gt;Eu matei Jesse James&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Grande Sertão: Veredas&lt;/em&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3gf6xNV4sjQ/SsPWC_x8anI/AAAAAAAAAEY/y0PTqeHJtBU/s1600-h/DSC00662.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5387384926234241650" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 234px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3gf6xNV4sjQ/SsPWC_x8anI/AAAAAAAAAEY/y0PTqeHJtBU/s320/DSC00662.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;. E é sobre eles que quero falar.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Samuel Fuller não me surpreende mais! Ele é um cineasta sem graça por excelência, que levou o rótulo de 'gênio' não sei muito bem porquê; talvez pelo fato de alguns outros diretores reconhecidos tê-lo citado como referência. O ponto alto de seus filmes são alguns enquadramentos e uma ou outra solução narrativa (embebida em Shakespeare). &lt;em&gt;I shot Jesse James&lt;/em&gt; é seu primeiro filme (1949) e só não consegue ser pior que &lt;em&gt;Naked Kiss&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;O Beijo Amargo&lt;/em&gt;) de 1964, porque, suponho, não deram muita liberdade a ele ou por timidez mesmo. Evidente que não vi tudo de Fuller, mas o que já vi - &lt;em&gt;Cão Branco &lt;/em&gt;é "legal" - me basta para pensar duas vezes em ver outro de sua autoria. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quanto ao filme dos irmãos Geraldo e Renato Santos Pereira, já parte de uma obra excepcional de Guimarães Rosa - não consigo ficar muito longe da literatura -, e possui um elenco respeitável. A produção é da Vera Cruz, portanto é muito boa para a época (1965). Mesmo assim - e eu não esperava o contrário - é um filme para agradar ao público, portanto, completamente 'adaptado'. Duas cenas maravilhosas: 1) A morte dos cavalos pelo bando de Hermógenes - todas as tomadas; 2) O suposto pacto de Riobaldo (Mauricio do Valle) com o diabo na encruzilhada - só Mojica para fazer melhor. É aquela velha história: para quem não leu o livro, nem se aventura passar pelas mais de 600 pgs., veja o filme para ficar a par da 'historinha'.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Para encerar, quero apontar os pontos de similiaridade entre os dois filmes. Ambos desejam trazer à tona o psicológico de homens 'embrutecidos', no velho oeste estadounidense e no sertão mineiro do Brasil. Daí os dois recaem na temática da sexualidade, essa por sua vez em seu viés 'anti-natural' - como querem os conservadores -, ou seja, nas relações de afetividade, que beiram o erótico, entre pessoas do mesmo sexo. Em &lt;em&gt;Grande Sertão&lt;/em&gt; descobrimos que se trata, entre outras nuances, de um jogo em que mexe com a angústia do ilustrado sertanejo Riobaldo. No filme de Fuller é um ponto digno de nota - a cena da banheira acima (com John Ireland e Preston Foster) é exemplar nesse tocante. Assim, é legal assisti-lo como um filme 'interessante', no gênero wester e cinema em geral, mas não enquanto um filme de um 'gênio'. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;-----------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;P.S: Agradeço&lt;em&gt; &lt;/em&gt;ao Rodrigo, do Sebo Comasa - Fpolis. - por emprestar os filmes que estavam à venda na prateleira.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5011929047237820034-7737240185564849469?l=paulinopenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulinopenha.blogspot.com/feeds/7737240185564849469/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/09/filmes-de-macho.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/7737240185564849469'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/7737240185564849469'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/09/filmes-de-macho.html' title='Filmes de &apos;macho&apos;'/><author><name>Paulino Júnior:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14257670225120759612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3gf6xNV4sjQ/SsPWC_x8anI/AAAAAAAAAEY/y0PTqeHJtBU/s72-c/DSC00662.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5011929047237820034.post-2064907329059909235</id><published>2009-08-24T18:15:00.000-07:00</published><updated>2009-09-01T13:47:52.478-07:00</updated><title type='text'>A LÁGRIMA (conto)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Quem assistia demorou a acreditar que fosse uma lágrima. A emissora, tão famosa pelo padrão de qualidade, não conseguiu deter a lágrima que escorreu do olho direito da apresentadora do telejornal noturno.&lt;br /&gt;Logo ela, recém-promovida ao programa de maior índice de audiência nacional — após anos à frente do jornal da tarde, depois de passar por moça do tempo e o ingresso como repórter de rua. Será que justo agora poria tudo a perder com a intrusa lágrima em seu rosto?&lt;br /&gt;Havia chegado seu grande momento, ela era perfeita para ser enquadrada no novo perfil estipulado para o casal do jornal da noite: menos sisudez, mais emoção. Uma mulher madura que sabia assumir um jeito jovial de passar a notícia; com a proeza em conseguir encher os olhos de água, sem derramar sequer uma gota — para não afetar a maquiagem —, quando se tratava de informações tristes, especialmente catástrofes da natureza e sequestro de criança.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Poderia até se inferir que aquela lágrima também fizesse parte da nova proposta do telejornal. Mas não era possível; seria muito despropositado — num programa tão cheio de propósitos — que surgisse enquanto era noticiado algo corriqueiro: percalços que faziam estender o inquérito sobre um político que desviara verbas públicas.&lt;br /&gt;Também não havia nenhum sinal de gripe ou resfriado que pudessem fazer os olhos da apresentadora lacrimejarem.&lt;br /&gt;O certo era aceitar que aquela lágrima era casual; sendo desesperadora para a produção. Imagine quanta labuta era empreendida para conceder a feição de manequim aos apresentadores. Então eis que acontece um instante de impotência.&lt;br /&gt;Neste momento, a atenção dos telespectadores se prendia apenas à lágrima, que conquistava parte da bochecha, mantendo sua lenta e vitoriosa descida. A enorme audiência passou a torcer para que ela percorresse toda face até pingar no blazer cinza, e criar uma marquinha escurecida na lapela, antes que a apresentadora fosse tirada do plano da câmera ao fim da notícia.&lt;br /&gt;O fato é que ela passou a ler com rapidez o TelePrompTer, provavelmente advertida pela direção. A população já se frustrava, sabendo que entraria os comerciais e não veriam a lágrima afetar ainda mais a maquiagem e macular o figurino.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Foi o que aconteceu. A cena da lágrima foi cortada quando ainda estava na covinha do rosto. Assim que o telejornal voltou, depois do desfile dos patrocinadores, a simpática apresentadora fazia cara de que nada havia acontecido.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5011929047237820034-2064907329059909235?l=paulinopenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulinopenha.blogspot.com/feeds/2064907329059909235/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/08/lagrima-conto.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/2064907329059909235'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/2064907329059909235'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/08/lagrima-conto.html' title='A LÁGRIMA (conto)'/><author><name>Paulino Júnior:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14257670225120759612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5011929047237820034.post-5563225669144599865</id><published>2009-07-20T15:19:00.001-07:00</published><updated>2009-09-01T14:04:14.002-07:00</updated><title type='text'>OS CONVIDADOS (conto)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="MARGIN: 0cm 0cm 0pt; TEXT-ALIGN: justify" align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:times new roman;font-size:130%;color:#000000;"&gt;Selecionou o número do celular na reservada lista de seu aparelho e, enquanto aguardava, ficou planejando mudar a decoração, que considerava &lt;em&gt;démodé&lt;/em&gt;. Após alguns toques, bastou reconhecer a voz no “pode falar” para dar cumprimentos eufóricos e enfatizar: “Estamos lá de novo!”&lt;br /&gt;Depois de agradecer, o outro disse: “Esta até que foi fácil, mas, o senhor sabe como é, a gente sempre fica tenso até ver o resultado final.”&lt;br /&gt;“Normal. Aposto que fui o primeiro a te ligar.”&lt;br /&gt;“Foi. Mas era mesmo o senhor a primeira pessoa que eu desejava dividir este momento.”&lt;br /&gt;“É realmente uma pena os afazeres terem me impedido de estar ao seu lado agora, meu jovem, mas assim que puder eu pego o jatinho e vou te dar um abraço.”&lt;br /&gt;“Não se incomode, é bom saber que existem amigos como o senhor, independente da distância.”&lt;br /&gt;“Tenho grande consideração por você, meu jovem. Por falar nisso, muita gente está satisfeita. Você foi um bom investimento. Olha, e tenho orgulho de dizer que você está se tornando melhor do que eu.”&lt;br /&gt;“Imagina! O senhor abriu caminho em épocas mais difíceis, apostando as fichas numa nova imagem e em novas alianças que, por competência, deram certo. O senhor fez escola e é um espelho pra mim.”&lt;br /&gt;“Obrigado, meu jovem! Suas palavras alegram meu velho coração. Tem uma coisa que eu não quis falar antes para não te deixar ansioso, mas durante todo este processo eu estive negociando com um grupo estrangeiro que quer entrar pesado. Olha, não estão pensando pequeno não. É coisa de cachorro grande.”&lt;br /&gt;“Que bom! O senhor sabe mesmo o que faz.”&lt;br /&gt;“O único senão é a probabilidade de haver um choque de interesses do grupo em questão com os dos nossos parceiros. Mas no nosso ramo é assim, ou você tem jogo de cintura ou perece.”&lt;br /&gt;“Estou sempre aprendendo com o senhor.”&lt;br /&gt;“Você sabe que é para você que passarei meu cajado, não é, meu jovem? Falta aprender umas coisinhas, que só o tempo ensina, mas o principal você já sabe: o negócio de ir dando aos poucos o milho aos pombos.”&lt;br /&gt;“Mas o senhor sabe que nem tudo são flores, cheguei a ficar preocupado com as notícias que andaram sendo soltas...”&lt;br /&gt;“Relaxa, daqui a pouco os pombos esquecem. Se é que já não esqueceram, sua vitória foi massacrante.”&lt;br /&gt;“Confesso que teve um momento que cheguei a ficar com medo, o senhor sabe que o grupo que dava apoio ao meu oponente não é peixe pequeno não. Só recuaram nas denúncias depois que também mostramos o que tinha embaixo do tapete deles.”&lt;br /&gt;“E você pode escrever o que vou dizer, meu jovem, na próxima eles vão querer estar do nosso lado. Por falar em nosso lado, sabe quem veio tomar um uísque aqui ontem? O Albatroz.”&lt;br /&gt;“É mesmo?”&lt;br /&gt;“Claro, ele não nasceu ontem, só estava esperando as coisas firmarem um pouco mais para vir oferecer apoio irrestrito da sua rede de comunicações, naquela velha história de que uma mão lava a outra...”&lt;br /&gt;“E as duas lavam a bunda.”&lt;br /&gt;Gargalharam e, como se combinado, pararam juntos.&lt;br /&gt;A conversa foi retomada em forma de advertência: “Falando sério, meu jovem, a gente precisa comemorar esta vitória em um lugar de confiança. Principalmente agora que estamos nessa campanha de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes. Ajeita uma viagem pra cá, tenho contatos seguros que me fornecem carne da melhor qualidade. Você sabe que eu sou um filantropo por excelência, não sabe?”&lt;br /&gt;Novas risadas prazerosas.&lt;br /&gt;“Está bem, meu jovem, vai que a coletiva está te esperando. Até chegar nosso encontro, a gente vai se falando. Um forte abraço! Só mais uma coisa, meu jovem, agora que você vai faturar alto com os novos investidores, não quer aproveitar e comprar aquela minha fazenda? Te dou de graça um punhado de família sem-terra de pé rachado.”&lt;br /&gt;Após a risadinha do outro lado da linha, ouviu um benzer invocando proteção divina e o praguejar: “Nem me pagando quero essa raça. Até porque já tem quem lucra com ela.”&lt;br /&gt;Ofereceram-se favores e se despediram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele posou o celular sobre a grande mesa — que logo seria substituída — e foi ao armário ponderar qual uísque cabia ao seu paladar naquele momento. Dose posta, começou a dividir sua apreciação entre o sabor da bebida e o espetáculo das pedras de gelo sendo colididas.&lt;br /&gt;O celular começou a tocar e o nome na pequena tela deu-lhe leves palpitações. Emborcou uma golada, só daí atendeu: “Sim? Acabei de falar com ele. Está certo. Fica tranqüilo, ele é macaco do nosso realejo. Não esquenta, depois a gente acerta. Até logo.”&lt;br /&gt;Terminou a dose, saboreando o confortável abraseamento que começava a circular pela corrente sangüínea. “Afazeres!”, disse em voz alta para o quadro em homenagem a um patrono da república em pose heróica. Esparramado na cadeira forrada de couro, fazendo as pedras de gelo chocarem-se no copo bojudo — agora sem o líquido dourado —, voltou-se novamente ao quadro e ensaiou uma expressão facial a partir do eminente personagem histórico retratado. Então levantou-se e foi enfático: “O mundo está cheio de afazeres, e alguém precisa se encarregar disso.”&lt;br /&gt;Depois acionou o motorista.&lt;br /&gt;Na saída do portão da Casa Oficial, o carro parou para atender a imprensa. Ele abaixou o vidro e foi logo advertindo que estava apressado. Um jornalista se adiantou aos demais: “Senador, o que o senhor tem a dizer a respeito do fim de mais uma eleição?”&lt;br /&gt;Ele jogou seus pequenos olhos brilhantes para a câmera em foco, e, tentando reproduzir certa severidade serena, declarou no tom de voz levemente sibilante: “O tribunal eleitoral tem toda razão quando diz que esta é a festa da democracia!” &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5011929047237820034-5563225669144599865?l=paulinopenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulinopenha.blogspot.com/feeds/5563225669144599865/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/07/os-convidados-selecionou-o-numero-do.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/5563225669144599865'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/5563225669144599865'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/07/os-convidados-selecionou-o-numero-do.html' title='OS CONVIDADOS (conto)'/><author><name>Paulino Júnior:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14257670225120759612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5011929047237820034.post-7248728789776663959</id><published>2009-06-19T16:43:00.000-07:00</published><updated>2009-08-17T16:36:20.553-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='CONTO'/><title type='text'>ARDÊNCIA NOS OLHOS (conto)</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;Da lista de endereços que adveio após digitar a palavra-chave, o primeiro que decidiu consultar quase não tirou proveito. A próxima tentativa foi jogar a seta sobre a palavra grafada e sublinhada em cor diferente, e, assim que ela se transmutou em uma mão com o indicador a postos, clicou para o acesso a outro texto que, embora não chegasse a ter o ponto-de-vista conflitante com o anterior, contradizia-o em termos. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Depois de piscar várias vezes, empregou novamente o recurso da seta que se torna mão, e estava diante de um arquivo em PDF - que em outro formato seria chamado de calhamaço - que abordava em linguagem técnica o assunto procurado. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Na presença de relativo fracasso, voltou à lista e mais uma vez correu os olhos apenas nos 10 primeiros resultados dos aproximadamente 352. 000. Então resolveu ver as dicas, conselhos e respostas dos usuários no site mais popular de perguntas. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;A desistência em instruir-se nesse site, logo na primeira vez que a lista apareceu, foi por considerá-lo superficial demais. Mas, como tinha pressa, dar uma olhada ali talvez pudesse ajudar. A página abriu e os glóbulos oculares foram para lá e para cá tão rápidos quanto uma bolinha de ping-pong em plena disputa. Achou informações que preferiu dividir entre interessantes e assustadoras; as outras foram direto para a vala comum do consciente. Das interessantes, os efeitos da poluição fazia sentido; e o hipotireodismo encabeçou as assustadoras.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Talvez fosse mesmo o caso de uma consulta médica, concluiu com negligência, desanimado por ter de recorrer a última coisa que gostaria. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Até que seus olhos piscaram e sem querer bateram numa janela publicitária que trazia a imagem de um monitor junto ao aviso de perfeição para quem passa longo tempo na frente do computador. Ficou tão ansioso pela maneira como recebeu a mensagem, que a mão que surgiu tão logo a seta pousou sobre a propaganda era quase uma extensão de seu próprio corpo sedento por mais daquilo.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O &lt;em&gt;download&lt;/em&gt; foi quase instântaneo. Após assistir, sem pestanejar, parou na página de uma reputada loja de departamentos, atrás das facilidades de pagamento para o que prometia ser a solução de seu problema.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5011929047237820034-7248728789776663959?l=paulinopenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulinopenha.blogspot.com/feeds/7248728789776663959/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/06/ardencia-nos-olhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/7248728789776663959'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/7248728789776663959'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/06/ardencia-nos-olhos.html' title='ARDÊNCIA NOS OLHOS (conto)'/><author><name>Paulino Júnior:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14257670225120759612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5011929047237820034.post-6230513786506828234</id><published>2009-06-10T14:31:00.000-07:00</published><updated>2009-08-26T13:43:11.884-07:00</updated><title type='text'>DE REPENTE / ACIDENTE</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;"Acordei bemol / tudo estava sustenido / sol fazia / só não fazia sentido" (ACORDEI BEMOL)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Abro espaço no meu blog de ficções para uma breve&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_3gf6xNV4sjQ/SjAsf9OzZbI/AAAAAAAAAB4/Bk1OPFI7bIU/s1600-h/paulo_leminski.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345821685212997042" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 250px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_3gf6xNV4sjQ/SjAsf9OzZbI/AAAAAAAAAB4/Bk1OPFI7bIU/s320/paulo_leminski.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; menção honrosa ao poeta Paulo Leminski, que morreu há 20 anos (07/06/1989), com apenas 44 anos. "Não existe poesia experimental sem vida experimental." Como acredito nessa máxima difundida por outro corajoso poeta, Roberto Piva, digo que a poesia de Leminski foi uma daquelas que me pegou na veia. Sua prosa - bastante espelhada em Joyce - nunca fez muito minha cabeça; pois, para mim, as boas sacadas se perdem no caudaloso verbal. Bem diferente dos versos, com uma estrutura melódica, de elipses precisas e imagens rápidas, muitas vezes inusitadas, mas cheias de sentido. A poesia de Leminski, em não raros momentos, me ajudou a sorrir na mais sincera seriedade, e a encarar a busca pelo sentido da vida sendo o único sentido.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;P.S. A caricatura é da autoria de Marcos Guilherme - eu também vejo Leminski assim. &lt;a href="http://www.artefiguras.com.br/"&gt;http://www.artefiguras.com.br/&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5011929047237820034-6230513786506828234?l=paulinopenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulinopenha.blogspot.com/feeds/6230513786506828234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/06/homenagem-citacao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/6230513786506828234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/6230513786506828234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/06/homenagem-citacao.html' title='DE REPENTE / ACIDENTE'/><author><name>Paulino Júnior:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14257670225120759612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_3gf6xNV4sjQ/SjAsf9OzZbI/AAAAAAAAAB4/Bk1OPFI7bIU/s72-c/paulo_leminski.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-5011929047237820034.post-5397489067053389951</id><published>2009-06-01T16:33:00.000-07:00</published><updated>2009-08-24T13:45:18.007-07:00</updated><title type='text'>UM LUGAR SEGURO (conto)</title><content type='html'>&lt;em&gt;É seu trabalho fazer da Internet um lugar seguro&lt;/em&gt;!&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A apelação dominava o centro da tela do computador em grandes letras vermelhas. Abaixo, em fonte menor, as palavras em amarelo convocavam a denunciar conteúdos com pedofilia, agressividade, tortura, zoofilia, e demais bestialidades.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Ótimo! Para fechar, aumente um pouco o tamanho da fonte e acrescente em verde&lt;em&gt;: Seu cuidado é a nossa garantia&lt;/em&gt;."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Sentado à frente do computador, o rapaz obedeceu.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Isto. Agora vamos à publicidade. Na reunião de markenting foi discutido que a propaganda dos patrocinadores estaria emoldurando os dizeres da campanha. Comece com a propaganda das indústrias de &lt;em&gt;alimento &lt;/em&gt;e &lt;em&gt;esporte&lt;/em&gt;, e vá margeando até fechar com as de &lt;em&gt;cultura&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;entretenimento&lt;/em&gt;.&lt;em&gt;"&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O homem - do tipo que pensa com cuidado em cada peça do vestuário para compor o figurino de um homem de negócios moderno e descolado - gostava de assumir o ar professoral para instruir os novos jovens funcionários.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Precisa ter uma lógica comercial, pautada sobretudo no investimento de nossos colaboradores. Assim, daremos destaque na primeira ponta do quadro à rede de &lt;em&gt;fast-food&lt;/em&gt;, e à marca do tênis na outra. Na parte de baixo, uma das pontas será a divulgação do novo livro daquele autor de auto-ajuda e. . ." Parou pensativo para verificar a lista de comerciais.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Não seria a do lançamento do CD daquela cantora que está em todos os programas de televisão?" O rapaz inquiriu, desejando demonstrar presteza.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;"Claro! Investiram pesado no destaque dela. . ." Balançou a cabeça com desalento para acompanhar a justificativa do esquecimento: "Trabalho demais deixa a gente meio perdido às vezes." E não querendo perder tempo, logo emendou: "Então essa fecha ali, e aqui estão as outras propagandas para você encaixar. Siga o raciocínio e confira corretamente as observações correspondentes a cada uma." Estendeu a lista para o rapaz e o alertou olhando em seus olhos: "Mostre seu valor e faça o mais rápido que puder."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O rapaz balançou a cabeça em demonstração de compromisso.&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O homem mexia no celular e na agenda eletrônica ao mesmo tempo. Fez um gesto contido de comemoração assim que leu a mensagem recém-recebida pelo celular, depois andou pela sala observando se não esquecera nada. Quando parou na porta, advertiu o rapaz que acionava atentamente os comandos no computador: "Lembre-se que pretendo começar hoje a encomenda da produção do site com crianças mutiladas fazendo sexo com animais."&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;O rapaz tirou os olhos da tela e encarou o homem: "O senhor pode ficar tranqüilo." &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;Antes de se voltar para o computador, o rapaz ainda ouviu em um tom mais imperativo que cortês: "Bom trabalho." &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/5011929047237820034-5397489067053389951?l=paulinopenha.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://paulinopenha.blogspot.com/feeds/5397489067053389951/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/06/um-lugar-seguro.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/5397489067053389951'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/5011929047237820034/posts/default/5397489067053389951'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://paulinopenha.blogspot.com/2009/06/um-lugar-seguro.html' title='UM LUGAR SEGURO (conto)'/><author><name>Paulino Júnior:</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14257670225120759612</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
